quinta-feira, 5 de agosto de 2010

De Mãos Dadas

Sinto o calor frio que me toma
meus pés rachados tocam o chão
gélido, como a minha alma
sente que deve mesmo assim seguir.
Já não sinto mais o sabor de teu toque
nem o aroma de teus beijos
grito aos céus,
morro de desejos
e mesmo assim não me ouves...

Se foi, já não era mais pra ser
Se é, é porque temos algo por lutar
Se será, só o tempo que pode dizer

Não espere, o caminho é tortuoso demais
O céu brilha forte e nossos olhos não suportam mais
Mas se me permitires, serei fiel e útil
Serei teu guardião e pai
Teu guia e teu amigo.

Vem, te mostrarei que a vida é bela, apesar de cinza.
E que nesse gradiente inconstante,
Colorir tua vida e a minha existência.
Com os mais variados tons
De cumplicitude. Amizade.
Confiança. Paciência.

Amor.

Sabedoriamiga

Amigo! Não há motivo para melancolia,
não sabes ainda o desfecho dessa história.
Toda essa atribulação é só para mostrar
que investir nisso não vale a pena.

Algo que todos desejamos tanto
às vezes não a desejamos da maneira correta
ou até mesmo na hora certa.

Portanto, amigo,
Levanta a cabeça, respira fundo
que a graça de viver nesse mundo
é justamente superar as barreiras,
ultrapassar as fronteiras,
e não ter medo do que se é capaz de fazer
ou de no fim de tudo se arrepender,
e voltar a fazer novamente tudo.

E para isso, saibas:
Vou estar sempre contigo.
Para te apoiar nas horas em que precisa.
Para apanhar as lágrimas, quando caírem.
Para te ilustrar o caminho certo.
Para acompanhar tudo que fizeres.

Para tudo, amigo.

La Touche

Quando me tomas em teus braços
Sinto o mundo girar do avesso
O saboroso toque de tua pele
me faz devanear e divagar
no aroma de seus cabelos
a me envolver
em desvairados sonhos,
conscientes em sua existência,
efêmera, porém poderosa
força que me toma de todo
e vicia toda a alma
que pede por mais,
alimento de meu ser,
que não sabe mais se é ou se fora
mas que de uma coisa sabe bem:
é triste não ter a quem tocar.

Oundvikliga (ou Inevitável)

Mas, finalmente: o que é o amor?
Seria todas as vezes em que se perde o fôlego?
Seriam todas as horas em que passaste a suspirar?
Seria apenas algo acessório?
É possível que passemos sem saber o que é amar...

Que passemos a vida sem suspirar,
ou até mesmo a se indagar:
Será que um dia eu já amei ou fui amado?
Isso, meu caro, só o tempo e tuas atitudes é que dirão...

Mas se tenho uma coisa de que tenho certeza,
é de que amei sim,
e fui amado.
Sempre marcado por meus exageros, boêmio sou
apaixonado pela vida, efêmera experiência,
Irremediavelmente,
Irreparavelmente,
Inevitavelmente não evitei o amor,
E assim, criei asas pra voar
E não me impus limites para o amar...

domingo, 18 de julho de 2010

Lysergsäurediethylamid

do nada me encontro a recordar
das lembranças de há pouco
pareciam eternos, ardilosos afagos
como traiçoeiras são as águas

teus cabelos, grilhões da luxúria
tem o aroma exato do desejo
e da ilusão infiel dos meus anseios

o pelo eriçado,
a melodia gemente de tua voz
e o suor que escorre de meus pensamentos
são avisos para que eu corra, fuja
de tuas irresistíveis carícias

e, mesmo assim, peço por mais.

teu amor é como entorpecente
que destrói se prosseguir
e mata se o deixar.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Tão perto, incerto

Eis que me pego a pensar
Nos dias que estão para chegar
Dias este em que anseio te encontrar
E por enquanto não consigo me aquietar

Dias puros de perfeição
Cheios de vontades e emoção
Consagrar-se-á nossa união
Não há como deixar passar, não

Tão longe teu corpo está,
Mas posso ainda assim sentir teu perfume
Mas tua boca, inalcançável cume,
É a única que desejo beijar

E assim passo os dias,
Sem saber se vou te encontrar
Sem ter a luz que me alumia,
Sem ter a boca que quero beijar

Pakt

Mas que bela figura
Que diante dele se mostra
Tal frágil e sublime criatura
À qual o mais bravo se prostra

Os mais íntimos desejos nutre
Inebriadas vontades do âmago
Instintos animais que dominam
Inconsciência dos atos que contamina
O bom senso, faz perder a cabeça
De tanto que se deseja
E almeja, ambição seca
Que um dia a formosa criatura
Venha e ceda,
Aos seus pensamentos mais inebriados.

Tal qual o bravo,
A bela figura se rende
Num enlace em que
Não se sabe onde começa a moça,
Nem onde termina o rapaz
E juntos, num golpe anestesiado,
Gozam de eterna e efêmera paz

domingo, 16 de agosto de 2009

Due

És louco, diz ela
És estranha, diz ele
Tens belos olhos, diz ela
Gosto do seu cabelo, diz ele
Queres um pouco de café? - pergunta ela
Coça minhas costas? - pergunta ele
Você não quer cortar esse cabelo? - pergunta ela
Você não acha que devia fazer um regime? - pergunta ele

E eis que surge defronte dele
Um rubro animal a bufar
Que vai inchando, inchando
Mas nele medo não faz criar
Que pra essa situação já estava se preparando,
Tira dos bolsos um anel de brilhante e diz:
"Quer casar comigo?"

De repente, não mais que de repente,
O rubro monstro murcha
E a figura de uma doce e apaixonada jovem
toma seu lugar

E agora que um sem o outro não se sentia gente,
Agora acharam um elo que sempre os una
E embarcam juntos nessa fantástica viagem
que é amar.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Sorriso

Teu sorriso me encanta
Abre as janelas de minh'alma
Toda dor e sofrimento me espanta
Traz-me o calor do meio-dia,
Me aquece, me acalma
Me alegra e me acalanta
Reacende chama que outrora não ardia

Tua boca, rubra perdição,
esconde a alvura bela do interior
Faz tremer o coração
Me leva à loucura, morrer de amor

Mas não padeço, não me entrego
pois sei que um dia
tua boca rubi encontrará a minha
e nesse dia direi:
"Te desejo, não nego
és minha rainha, sou teu rei"

quarta-feira, 17 de junho de 2009

(I)Mundo

Dê-me um desejo
e te mostrarei como seria meu mundo.
Dê-me palavras
pois preciso descrever tudo.
Dê-me melodias,
não quero um mundo mudo.
Dê-me razão,
para que não me faça demasiado profundo.
Dê-me tudo,
pois que preciso de tudo para seguir
e carregar comigo
tudo que tenho aprendido e vivido.

De todas as cores que já vi,
nada é mais cinza do que o céu vermelho
Céu esse ao qual me ajoelho
para que me dê forças para seguir
Pois que me encontro exaurido
de tantas farsas, mentiras, escuridão
a que tenho vindo, visto e sendo vencido
e digo que tudo que fiz foi em vão

Dai-me forças, dai-me fibra
Para que em frente possa seguir
Dai-me amor, dai-me vida
Para que possa dizer: EU VIVI